20 de setembro de 2021

Por isso sou forte

Tratei de aprender cedo que os sonhos palpáveis são os mais reais e possíveis de serem realizados

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Quando criança eu sempre queria brincar com os brinquedos dos sonhos, os que fossem possíveis de realmente brincar, aquele que eu pudesse construir. Até porque, querer algo longe da minha realidade não seria legal de almejar, pois eu queria brincar logo, no máximo no próximo final de semana.

Ter um brinquedo que precisasse mudar a rotina da casa, seja financeira ou estrutural, não seria meu brinquedo de amanhã, então tratei de aprender cedo que os sonhos palpáveis são os mais reais e possíveis de serem realizados.

Eu queria olhar para o céu e controlar aquele objeto, direcionando-o para direita ou esquerda, para cima ou para baixo, dar o tom da cor que mais me agradasse, enfim ser dono do céu. Construir uma pipa do jeito que eu quisesse, três varetas, uma ou duas folhas seda, um pouco de cola, uma sacola plástica para a rabiola e um carretel de linha para ir mais longe e mais alto.

Eu não tinha a bicicleta, também nunca soube montar uma, mas sempre preferia aguentar os cascudos do meu irmão (Bira) toda vez que eu pegava a bike dele sem avisar, só para ir mais longe e mais rápido aos lugares e sentir o vento quebrando no rosto quando descia a rua da Igreja (Vila dos Remédios).

Quando comecei a correr, o tênis não poderia ser o mais importante, pois ter um específico para corrida não era prioridade, pois meu único tênis tinha que ficar bem inteiro para trabalhar, ir para a escola e correr. Nada disso era um problema. Quando chovia, gerava um desconforto por ter que ficar com ele o dia todo, mas a vida e minha rotina seguiam da mesma forma.

Como continuei trabalhando, estudando, buscando e sonhando, eu tinha certeza de que algo de novo poderia acontecer. Sabe aquela história de sonho palpável? Pois é, sonhei, construí e ele se realizou. Comprei o meu outro tênis.

Quando entrei no fantástico mundo das corridas de trilhas em 2008, entrei sabendo que se eu pretendia algo grande eu teria que: primeiro correr sozinho, acreditar sozinho, planejar sozinho e sonhar em meu travesseiro.

Era necessário olhar para as trilhas e traçar as minhas rotas: norte ou sul, com pedras ou gramas, para hoje ou para amanhã e lutar sozinho como os grandes guerreiros da história. A exemplo de Aquiles, que tinha ao seu lado um numeroso exército que só esperava ele resolver a situação para seguir ou como Leônidas, que era mais que um símbolo para o seu exército em que todos estavam unidos pela mesma causa.

    Foi quando sonhei, construí, reconstruí e o sonho realizou-se. Foi neste momento que percebi que já não poderia falar ou escrever “EU”, pois ao sentir e olhar para o lado percebi que já não estava só.

Em conversas com o meu “eu”, me indagava: ‘nossa, de onde saíram esses soldados (familiares, amigos, seguidores, virtuais ou presenciais)’, pois eu achava que tinha que dar para receber, dar algo palpável para receber o mesmo. Neste momento percebi que não era uma questão de dar para receber, mas sim ser para ser seguido.

Quando sonhamos com algo, precisamos definir dentro de nós qual será a rota, qual sonho deve ser buscado primeiro, construí-lo sem que se haja a necessidade do concedimento de alguém, pois o sonho é seu.

Quando quero ir para uma prova/ evento, quando quero ter um tênis, quando eu quero ter o controle de algo, busco em minha história se realmente eu mereço. Eu quero ser campeão dos meus trechos, dos meus percursos, dos meus sonhos, com minhas ferramentas.

Conte sua história para si mesmo, se ela te emocionar pela construção, tenho certeza de que ela será capaz de mover uma legião sem convocação.

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