28 de novembro de 2021

O primeiro ULTRAMACHO a gente nunca esquece!

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Se você é uma daquelas pessoas que adora natureza, pequenos animais, borboletas, vento no rosto, ar puro, esportes ao ar livre, aproveite: este artigo é para você! Mas se você não gosta de mato, detesta insetos e tem medo de se perder em trilhas, continue lendo este artigo, talvez você possa mudar de ideia.

Em 2013 eu também me encaixava no segundo grupo de pessoas, e não tinha afinidade nenhuma com trilhas. Já corria há algum tempo, mas só participava de provas no asfalto, até que um dia ouvi alguns amigos da assessoria esportiva comentarem sobre um tal de “Ultramacho”. O nome me chamou atenção e fiquei curiosa para saber que competição era essa.

Pesquisei com alguns amigos que tinham participado de uma edição anterior, entrei no site para ter mais informações, e empolgada com a possibilidade de fazer algo diferente me inscrevi na modalidade trail run 6 km – Etapa Juscimeira.
O primeiro obstáculo começava no local de largada da prova, distante da cidade onde me hospedei no interior de Mato Grosso. No domingo tivemos que madrugar, antes do sol nascer e o galo cantar, rumo ao desafio.

Logo na estrada, entre um bocejo e outro, fomos surpreendidos com um céu cor de rosa inesquecível, anunciando um novo dia. Guardo até hoje na memória aquele horizonte multicolorido através da janela do carro. Mas ao chegar na concentração da prova, a imagem de uma cachoeira de águas volumosas bem ao lado do pórtico da corrida me fez esquecer o nascer do sol. Que visão surreal… parecia uma pintura. Naquele momento parei de reclamar por ter acordado tão cedo e agradeci a Deus pela oportunidade de presenciar aquele espetáculo.

Depois de muitos cliques e selfies, foi dada a largada ao som de “We will rock you” do Queen. Aquela batida da música ecoou pelas trilhas enquanto centenas de atletas corriam para vencer seus próprios limites, foi lindo, fiquei arrepiada. Mas logo a frente, toda essa beleza poética deu lugar a uma subida tão íngreme e tão cheia de pedras soltas, que era preciso atenção redobrada para não tropeçar e ser obrigada a desistir da prova no primeiro obstáculo.

Me lembro de apoiar as mãos nos joelhos para chegar até o topo, enquanto os mais rápidos já cruzavam por mim na direção contrária, descendo a trilha. Pensei comigo “Força, Célia! Daqui a pouco fica mais fácil. Deixa de mimimi!”. É, não foi bem assim… barrancos, tocos de árvores, trilha dentro de um rio seco, lama nas margens de uma lagoa, travessia com corda dentro de um rio com correnteza, 500 metros na direção errada, picadas de insetos, galhos secos no rosto, capim-navalha na perna e finalmente o barulho da cachoeira que ficava ao lado da linha de chegada. Sim, faltavam menos de 500 metros para terminar, então a sensação de alívio tomou conta de mim. Conforme corria para o pórtico comecei a ouvir a torcida gritando “Vai, você está em segundo lugar! Corre…” aquelas frases soaram como uma dose extra de carbo-gel. Não era hora de diminuir o ritmo, faltava o sprint final da chegada. Deixei o medo de lado e acelerei pelo barranco até sentir os dedos dos pés ficarem dormentes.

Que experiência! Cruzei a linha de chegada sem acreditar que fui capaz de tudo aquilo. A locutora gritava meu nome, meu marido beijava meu rosto suado, outros atletas cruzavam o tapete da cronometragem. Eu não estava sonhando, tudo estava acontecendo de verdade. Além de ser meu primeiro Ultramacho, aquele também foi o meu primeiro pódio nas corridas, quanta emoção junta. Meu caso de amor com essa prova estava selado a partir daquele dia.

Voltei para casa com um sorriso bobo no rosto, as pernas cansadas, algumas picadas pelo corpo, uma medalha, um troféu e a certeza de ser capaz de me superar a cada prova, porque eu venci o Ultramacho!

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