22 de outubro de 2021

Avancini responde 15 perguntas pré-olimpíadas

De nutrição a descanso, o que o nosso campeão tem feito enquanto espera as Olimpíadas

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1 – Como é a sua rotina de treinos?

R: O Mountain Bike é um esporte com muita variedade de situações diferentes, de competições e a preparação segue o mesmo conceito. É difícil pensarmos em rotina no Mountain Bike, os treinos são diários, às vezes com sessão única, às vezes com 4 seções. Mas também são importantes os períodos de descanso antes de entrar em uma rotina seguida de treinos.

2 – Além do treino natural com a bike, você pratica alguma outra modalidade física que possa te ajudar? Por exemplo, musculação, yoga…

R: O meu treinamento é composto por algumas sessões de corrida a pé; muitas sessões de treinos de força, como musculação; treinamentos de respiração; exercícios mentais cognitivos de reação e visualização; além da parte de recuperação e preparação motora, que são exercícios para o desenvolvimento biomecânico.

3 – Onde são realizados os treinos nesse período em que ainda está no Brasil, antes da viagem?

R: No período em que fico no Brasil faço minha preparação quase integralmente na cidade de Petrópolis (RJ), onde tenho algumas facilidades de preparação. Utilizo a estrutura física da equipe Henrique Avancini Racing e os meus percursos de treinamento.

4 – Como é a rotina de alimentação, principalmente nesse período pré-Olimpíadas? Tem trabalho com nutricionista?

R: Sim, tenho acompanhamento com nutricionista e um consultor nutricional. Nós fazemos uma alimentação variada de acordo com cada momento do treinamento e no período de pré-competição isso também é alterado.

5 – Devido às restrições de viagens (brasileiros barrados por causa da pandemia da Covid-19), você deixou de competir em algumas etapas. O que isso prejudica? Como foi a readaptação do planejamento para os Jogos Olímpicos?

R: Esse começo de temporada foi mesmo um período difícil para mim. Principalmente porque demoramos muito a traçar um plano de preparação, tentamos viajar e fazer algumas competições e sempre tivemos que alterar esse planejamento. Isso acabou quebrando qualquer estratégia e fiquei com a pré-temporada comprometida. Mas agora me vejo em uma situação melhor, ainda num tempo bom para pensar e preparar a segunda parte do ano, que obviamente inclui os jogos olímpicos.

6 – Como tem lidado com a expectativa de medalha, principalmente após vencer a Internazionali d’Italia, onde bateu o atual medalhista de ouro?

R: Os jogos olímpicos sempre vêm carregados de uma expectativa externa enorme. As pessoas esperam pelo melhor resultado possível, mas é importante entender que na cabeça do atleta essa expectativa é algo anterior, que vem de forma permanente. O processo olímpico é longo e é importante você competir em alto nível durante todo o período e competições que antecedem. Mas Olimpíadas são sim deferentes, existe uma carga maior de análise mais detalhada do público e da mídia, um acompanhamento mais próximo. Tudo isso pode trazer coisas positivas e negativas, o importante é o atleta saber gerar isso para que traga motivação.

7 – O que faz nas horas livres até para aliviar um pouco a expectativa e responsabilidade em representar o Brasil nas Olimpíadas?

R: Eu gosto muito de música e de passar o tempo com a minha filha. Também procuro me dedicar a outros projetos, que na grande maioria das vezes são relacionados à bicicleta, mas não diretamente a mim. Tenho meu projeto social que é o Pedaling for a Reason; tenho a minha equipe, a Henrique Avancini Racing. Gosto de me dedicar a essas aventuras como uma forma de sempre manter a energia e a produtividade altas. É também uma forma de me manter realizado independente da minha performance esportiva.

8 – Sabemos da ligação com a bicicleta desde a infância, a partir do seu pai, que também foi ciclista e tinha uma oficina de bikes. Sua família sempre apoiou a decisão em se tornar um ciclista profissional? Como foi quando decidiu trancar a faculdade de direito para se dedicar exclusivamente ao esporte?

R: Eu tive uma criação muito pautada na instrução. Meus pais sempre me instruíram e apoiaram minhas decisões. Esse processo de se tornar um atleta profissional é muito longo, incerto e uma estrada cheia de percalços e altos e baixos. Sempre contei muito com o incentivo do meu pai no apoio da minha paixão, mas em relação a apoiar isso como um trabalho ou fonte de renda, sempre foi difícil para todos nós. Naquela época, o esporte não era desenvolvido suficientemente para que eu pudesse sonhar isso. Então tem sido uma jornada extensa e intensa, de crescimento pessoal e, sobretudo de desenvolvimento da modalidade como todo. Mas essa é a grande realização da minha carreira, enxergar hoje o esporte que amo tanto crescendo e ver também minha carreira crescer de forma proporcional.

9 – Além do suíço Nino Schurter, quem ou quais são os principais adversários pela disputada da medalha de ouro?

R: O Nino Shurter é o atual campeão olímpico e atleta mais experiente, é um dos maiores da história da modalidade. Além dele, temos uma geração de atletas um pouco mais jovem. O Mathieu van der Poel é o favorito da mídia; o inglês Tom Pidcock é um talento jovem e muito capaz; temos também os franceses Victor Coretszky e o Jordan Sarrou, que é o atual campeão mundial. Diria que esses são os nomes que chamarão a atenção nos jogos e podem estar no pódio.

10 – Você se considera no melhor momento da carreira?

R: Eu não gosto de me rotular e quero acreditar que minha melhor versão ainda é algo a ser descoberto. Claro que até aqui é o momento mais expressivo, ainda me sinto com a possibilidade de crescimento, desde que eu trabalhe da forma correta. Mas penso que ainda posso melhorar, unindo a minha experiência e ao mesmo tempo a explosão de um atleta ainda jovem.

11 – Como será sua rotina no Japão, até a estreia nas Olimpíadas?

R: Nós mudamos toda nossa programação para os jogos recentemente, devido às restrições severas no Japão. Vários países cancelaram o protocolo de preparação local por conta disso. Farei minha preparação final na Europa, em um local que já conheço. Viajo para o Japão uma semana antes da prova para já me aclimatar na Vila Olímpica. E essa rotina de treinos é mais simples até que em relação à Copa do Mundo, você tem menos estrutura física para trabalhar e com menos pessoas, então acaba sendo uma rotina simples, de no máximo três sessões diárias e sem esquecer da recuperação física.

12 – Sabemos que muitas bikes, peças e acessórios continuam sendo importadas ao Brasil, acredita que com mais incentivo temos condições, também, em nos tornarmos cada vez mais produtores e ampliar o aspecto empreendedor ligado ao universo do ciclismo urbano e esportivo?

R: Acredito que sim. O mercado da bicicleta no Brasil é aquecido e a indústria e o comércio têm números significativos no nosso país. Vejo como um reflexo natural a capacitação e o aumento de peças no Brasil, desde ocorra o incentivo para isso.

13 – Você pode nos contar sobre a iniciativa do projeto AVA, em que consiste?

R: Em 2015, eu tornei um sonho em realidade, que era a criação de uma equipe de atletas de auto rendimento. Meu objetivo inicial era dar a possibilidade à atletas jovens e que tinham demonstrado um potencial a se desenvolverem para o auto rendimento. Eu sei que esse último estágio de um atleta jovem para se tornar um atleta de elite demanda muita coisa, muito tempo e muito estudo. Então meu intuito sempre foi compartilhar estrutura, conhecimento e incentivo para esses jovens, para que pudessem se desenvolver de forma sólida. O projeto cresceu e foi ampliado em relação ao apoio aos atletas, estrutura física, recursos humanos e hoje temos a Henrique Avancini Racing, que hoje é a equipe referência do nosso País, em uma operação que não fica distante das equipes globais do Mountain Bike.

14 – Como vê atualmente o ciclismo no Brasil? Há uma nova geração de atletas?

Há uma nova geração de atletas no Brasil e a própria competição interna vem aumentando, e isso contribui muito para o crescimento de todos. A disputa interna precisa ter qualidade para quando chegarmos lá fora estarmos capacitados para todos os ambientes de disputa. Temos visto isso acontecer aos poucos com mais equipes e mais atletas vivendo profissionalmente.

15 – Qual é a importância para um atleta, seja iniciante ou olímpico, em ter patrocínios de marcas dispostas a investir na modalidade?

R: Se nós avaliarmos o atleta como uma função laboral, eu diria que é difícil encontrar um outro trabalho em que a continuidade seja tão importante. Falamos de uma escolha e estilo de vida completamente instável pelos desafios da natureza do esporte. Por isso é importante de alguma forma ter uma espécie de segurança e propósito comum em saber que uma marca caminha na mesma direção que você almeja. É uma garantia de que a sua dedicação é compartilhada por alguma instituição, isso dá uma força ao propósito do atleta muito mais profunda. Acho que é algo que faz sentido para as duas partes, atletas e marcas, pois compartilham valores em comum.

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