31 de julho de 2021

Opinião: o drama na China e a segurança para o esporte de aventura

Organizadora do ULTRAMACHO reflete sobre as lições dessa tragédia

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No último sábado foi realizada uma ultramaratona de corrida em trilha na China. Largaram 172 atletas e, infelizmente, 21 deles morreram no trajeto por conta de uma mudança brusca de temperatura. Ainda não há informações concretas sobre o que de fato aconteceu, não sendo possível apontar culpados.

Fotos e vídeos têm circulado com imagens de corredores usando apenas camisetas e shorts, eles praticamente se empilharam tentado se aquecer com o calor apenas de seus corpos. A partir dessas fotos já se pode tirar muitas lições do ocorrido para aplicar em qualquer esporte realizado na natureza.

Um mantra que costumo entoar em todas as oportunidades é: a aventura começa na preparação. Ao sair para uma atividade ao ar livre não se pode contar apenas com a sorte e uma conferida de leve no céu para saber se faz sol ou se chove.

É preciso estar preparado e imaginar o pior dos cenários para saber como agir em caso de uma emergência. Pode parecer preocupação extrema, mas é justamente isso que pode salvar vidas. Carregar equipamentos de segurança, kit de primeiros socorros, informar aonde está indo e saber de antemão como será o cenário já inibe uma série de imprevistos e pode, sim, ser a diferença entre a vida e a morte.

Como organizadora de eventos esportivos na natureza enfrento um problema gigante para conscientizar atletas da importância da preparação. Exigimos equipamentos obrigatórios para garantir que imprevistos possam ser enfrentados. Mas é uma batalha fazer atletas entenderem que a primeira pessoa a se preocupar devem ser eles mesmos. Muitos ignoram ou burlam nossas regras para seguirem com menos peso nas trilhas.

Em tempos de pandemia onde os eventos quase não acontecem, a falta de consciência dos atletas fica ainda mais evidente. Sem a tutela de uma organização, muitos saem para a natureza contando somente com a proteção dos anjos da guarda e quanto trabalho eles estão tendo.

Estar preparado vai além de ter equipamentos técnicos, é preciso fazer um check-up e conhecer o próprio estado de saúde e implica também em entender as regras da atividade quando realizada em ambiente com outros sujeitos. Um exemplo disso são ciclistas que por falta de informação pedalam em estradões de terra e rodovias sem seguir as normas de trânsito.

Praticar esporte na natureza é um balsamo. Um alívio em tempos de pandemia e é enorme a quantidade de pessoas que se iniciaram na atividade física nesse período. Mas não é só calçar um tênis ou subir na bike e sair. A natureza é indomável e exige dos aventureiros a devida preparação. Faça seu dever de casa, auxilie os que estão começando e dê o exemplo. Isso fará suas aventuras ainda mais épicas e, também, ajudará a evitar tragédias.

Por Maria Rita Ferreira Uemura

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