7 de julho de 2022

Campeão mundial dá dicas para quem quer se aventurar no MTB

Fritura não entra no prato de Henrique Avancini, que não come feijão nem comidas com muitas fibras antes de competições e ensina: "Se você quer fazer mountain bike, explore mais"

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Quando Henrique Avancini tinha 8 anos, uma bicicleta grande de um conhecido de seu pai se quebrou. Dono de uma loja de bicicletas com uma pequena oficina, seu pai reaproveitou o aro 22 e o transformou num 12,5. Montou a nova bike do zero, reaproveitando sobras. Foi com ela que se iniciou a trajetória do atleta, campeão mundial de Mountain Bike Maratona em 2018 e atual terceiro do mundo no ranking. E é de suas origens que ele, agora com 30 anos, tira sua principal dica para quem quer se aventurar no mundo da mountain bike.

– Acredito que você tem que aprender a usar a ferramenta que tem a seu alcance. Não se preocupar com o que existe no mercado, com o que o outro tem, e sim conhecer e dominar o que você tem. Foi o que fiz. Fui me aperfeiçoando com o que eu tinha ao meu alcance. É o que tento fazer até hoje – conta Henrique.

O campeão segue morando e treinando na sua cidade natal, Petrópolis, na Região Serrana do rio de Janeiro. Ele falou sobre sua rotina de treinos e alimentação e mandou algumas dicas para quem ainda está buscando seu próprio ritmo de treinamento.

Alimentação – Pratos coloridos e bom senso

Para Henrique, o bom senso é fundamental na hora da alimentação. Ele aposta em pratos coloridos e balanceados, mas escolhe o que coloca neles de acordo com o horário dos treinos. Num almoço entre treinamento ou competição, por exemplo, não come feijão nem comidas com muitas fibras, como verduras cruas, para evitar um desconforto estomacal ou intestinal. Aposta em proteínas e carboidratos mais pastosos, como purê de batatas, de fácil digestão. Nos dois dias antes de uma prova, reduz as fibras a quase zero, para evitar retenção de líquido.

– Já segui todas as linhas, já fui até de contar gramas e calorias. Hoje, sei que o que importa é uma alimentação de qualidade, em que você coma bem e com prazer. Claro que não como qualquer coisa. Alimentos fritos geralmente não entram no meu prato. Mas até um doce, eventualmente, eu posso comer – afirma o atleta, que pesa 69 kg, distribuídos em 1,76m.

Treinos – Força, equilíbrio, explosão e velocidade

Dependendo da programação e da distância até uma competição, Henrique pode treinar de três a 10 horas num dia, entre musculação, fisioterapia, exercícios de equilíbrio, ciclismo na estrada e nas pistas de mountain bike. Ele dá importância a exercícios que estimulem a propriocepção, que é a capacidade de reconhecer a localização espacial do próprio corpo e a força exercida por cada músculo.

– É fundamental trabalhar músculos variados, não se concentrar em apenas alguns deles, até para evitar riscos de lesões – ensina Henrique, que, em treinos de velocidade, acompanha um carro a 90 km/h na estrada.

Em ação – variar e explorar

Em Petrópolis, há quatro pistas, três delas construídas por ele, cada uma com uma característica diferente. Isso acontece porque cada pista de competição tem também suas próprias particularidades.

– Se você quer fazer mountain bike, mesmo que só para brincar, precisa treinar em terrenos diferentes em condições climáticas diferentes. Explore mais. A bike é um instrumento de aventura, então se aventure. Na chuva, no sol, na areia, no barro. Com o tempo, você vai entender o que precisa fazer em cada situação, que pneu usar, qual a calibragem – incentiva ele.

Vida fora do esporte – Paternidade e música

Filha e outras rotinas também fazem parte da rotina.

– Minha vida é diferente do que as pessoas imaginam, não é só treinar, comer e dormir. Gerencio meu time de três atletas, toco projetos sociais e consigo, sim, separar meu tempo para a Liz e para a minha mulher. – diz ele, que toca ukulele para relaxar. – A música alimenta a alma. É tocando, ouvindo música, lendo e passando tempo com minha família que eu uso meu tempo livre.

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