31 de julho de 2021

A história Tope de Fita e os novos aventureiros

Um dos passeios em trilha mais tradicionais de Mato Grosso liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães

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Cruzando grotas, beirando paredões em meio a um cenário único. Esta estrada antiga é palco todos os anos de uma subida que congrega os ciclistas e amantes da caminhada na natureza.

O início

Uma trilha é aberta para levar as pessoas de um ponto a outro. O Tope de Fita foi um dos muitos caminhos que estiveram em atividade para ligar Cuiabá a Chapada dos Guimarães. Histórico, este trajeto deve ter sido desenhado, provavelmente, após a ida do homem branco para serra acima, registrada pela primeira vez em 1727. Mas há autores que ligam o Tope como sendo parte de uma trilha inca.

De 1731 a 1737, período em que os índios paiaguá fecharam o Rio Paraguai interrompendo a rota de Cuiabá a São Paulo, o Tope de Fita e as outras trilhas levaram os viajantes a desviar por Chapada com destino a Goiás Velho. A estrada ainda guarda em parte do trajeto o calçamento original feito com pedras. Não se sabe se essa benfeitoria foi realizada nessa época, ou em 1910 no governo de Pedro Celestino, ou ainda durante a década de 1930. Época que em o governador Mário Correa da Costa queria transformar Chapada dos Guimarães na nova capital de Mato Grosso.

O Tope de Fita foi muito utilizado pelos tropeiros que transportavam arroz, feijão, mandioca, milho, cana-de-açúcar, carne seca e outros produtos de Chapada para vender na capital. O tempo foi passando, a modernidade chegando e o asfalto conseguiu ligar Cuiabá a Chapada no final da década de 1970.

O nome Tope de Fita tem algumas versões. A expressão Tope é denominação geográfica comum dada ao topo de morros no estado. Já a fita remete a lenda de que uma mulher nobre de passagem pela trilha teria deixado um pedaço de fita preso em algum galho.

O SURGIMENTO DA TRADIÇÃO

Em 1988, o biker Veto já tinha ouvido histórias de seu pai sobre o Tope de Fita, trilha que ele encarava com tropeiros à cavalo para trabalhar em Chapada. Veto imaginou o tamanho do desafio e juntamente com os companheiros Weden, Jorge e André resolveu refazer o caminho.
Para fazer a trilha seguiram com um remanescente grupo de tropeiros e aprenderam o caminho do Tope, foram atrás dos cavalos serra acima sob bikes. Elas não eram como as de hoje, bem mais leves, mas deram conta do recado. A aventura bem sucedida deu início a um ritual que se repete desde então, sempre no segundo domingo após a Corrida de Reis, em janeiro.

A UNIÃO DAS TRIBOS

O grupo foi crescendo assustadoramente durante esses anos e inclui desde 2010 os adeptos da caminhada e da corrida em trilha, que fazem os 15 km de subida do paredão a pé. Eles começaram a seguir as bicicletas por influência da também ciclista Marcia Roque que resolveu levar os sobrinhos para a aventura.
Desde 1988 é provável que mais de seis mil pessoas tenham feito o trajeto dentro da tradição. São mais de 50 km partindo ainda de madrugada pelos bairros da periferia da capital, pastos de fazendas, matas exuberantes, grotões, paredões da serra e grandes veredas até chegar à cidade de Chapada.

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